"Tu incitas [ao homem] para que sinta prazer em louvar-Te; Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti." (Agostinho)

15 de fevereiro de 2010

O Testemunho Apostólico: Jesus, verdadeira vida e alegria



I JOÃO 1:1-5
 "O que era desde o princípio,
o que temos ouvido,
o que temos visto com os nossos próprios olhos,
o que contemplamos,
e as nossas mãos apalparam,
com respeito ao Verbo da vida
(e a vida se manifestou, e nós a temos visto,
e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos,
a vida eterna, a qual estava com o Pai
e nos foi manifestada),
o que temos visto e ouvido
anunciamos também a vós outros,
para que vós, igualmente,
mantenhais comunhão conosco.
Ora, a nossa comunhão é com o Pai
e com seu Filho, Jesus Cristo.
Estas coisas, pois, vos escrevemos
para que a nossa alegria seja completa."
Há coisas que mudam radicalmente a nossa vida; coisas que motivam e dão significado a nossa vida. Certamente significado é algo que muitos buscam. Uns o almejam sem saber; outros o buscam de forma consciente. Mas quer consciente ou não, significado é algo que muda, motiva e que plenifica a nossa vida.
Há quase 2000 anos no oriente médio, homens incultos e cultos encontraram algo (“o que”) que lhes deu significado. Na verdade encontraram mais do que algo, encontraram alguém. Alguém que eles ouviram, viram com os próprios olhos, o que contemplaram atentamente e que suas mãos tiveram o privilégio de apalpar.
O santo apóstolo, já então bem idoso, faz questão de afirmar que ele irá escrever sobre algo indubitavelmente certo. Não foi um sonho, um devaneio de um jovem sonhador. Foi real, palpável. Foi Alguém que lhes impressionou tanto que eles contemplaram atentamente, observaram minuciosamente o que Ele falava e como Ele era.
Isso é verdadeiro, pode não ser para muitos hoje, mas para outros e para os que o “contemplaram” é real. A maior evidência que eles deixaram de Sua realidade não foi tanto o que eles escreveram sobre Sua vida, mas a vida que eles tiveram após o encontro com Ele.
Muitos como Pedro e João eram pescadores ignorantes, mas outros como Mateus, Lucas, Nicodemos e Saulo de Tarso eram homens de status e de muita cultura. O interessante é que todos eles tiveram suas vidas transformadas de forma radical.
É fácil mentir, isso nós sabemos bem, ainda mais quando a mentira nos beneficia. Alias, só mentimos quando é necessário e proveitoso para ganharmos algo ou nos livrarmos de algum mal.
Mas vamos imaginar todos aqueles homens inventando (como muitos dizem hoje) uma historia chamada Jesus, o Filho encarnado de Deus. Embora a própria história de Jesus seja tão engenhosa que nem Wollywoold conseguiria inventar, não seria difícil imaginarmos isso. As dificuldades dessa teoria começam onde as vantagens da mentira terminam. Quais as vantagens que esses homens tiveram com essa “lenda”? Com certeza nenhuma que compensasse o preço a ser pago.
Qualquer mentiroso irá pesar custo e beneficio. Se o beneficio for significativo, ele mente; se for negativo ele não mente. Se ele achar que é proveitoso e depois descobrir que não é, ele irá desmentir.
A “lenda” chamada “Jesus, o Filho do Deus, encarnado, morto e ressuscitado”, não venderia ingresso, mas traria prejuízo incalculável.
Entre os romanos, fascinados com a filosofia grega de Platão e outros, imaginarem um espírito perfeito, como Deus, se encarnando em um copo material e depois da morte, ao invés de ficar livre do corpo, ressuscitar novamente para ter um corpo material era um absurdo. Para eles o espírito era bom e a matéria (carne) má. Então para os romanos, impregnados da cultura, a grega encarnação era sem sentido e a ressurreição completamente indesejável e desprezível.
Entre os judeus, com sua noção distorcida de um Messias militar que viria desencadear uma guerra santa contra a dominação do Império Romano e livrar Israel de seus inimigos, seria difícil imaginar um Messias Rei nascendo pobre, sendo o próprio Filho divino, montando num jumentinho e não num imponente cavalo de batalha, ensinando a “dar a Cesar o que é de Cesar”, e, o que seria mais absurdo e ilógico, morrer vergonhosamente em uma cruz maldita.
Foi o próprio Saulo de Tarso quem escreveu: “Porque tanto os judeus pedem sinais [de poder e autoridade], como os gregos buscam sabedoria [a filosofia e sua retórica]; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. – 1Co 1:22-24
Eles não procuraram agradar ou se acomodar a ninguém, como os mentirosos fazem. Eles ensinavam a história de um “Cristo crucificado” que para todos era um absurdo de loucura e fraqueza.
As conseqüências foram as piores.
Não obtiveram vantagens e prestigio entre os intelectuais romanos e judaicos.
Não obtiveram riquezas.
Não tiveram uma vida pacifica e tranqüila como muitos cristãos querem hoje.
Mas, esses homens e mulheres, velhos e crianças, foram desprezados, zombados, perseguidos, perderam propriedades, foram apedrejados, acoitados, presos em cadeias, expulsos de cidades, exilados em ilhas, crucificados das formas mais variadas, decapitados, jogados para as feras, queimados vivos, mortos das formas mais cruéis que a mente humana depravada pode inventar.
Eles tinham, sempre diante de si, a opção de negar suas crenças e levarem vidas tranqüilas como qualquer um ou morrerem por suas crenças em Jesus, o Filho de Deus, encarnado, morto e ressuscitado. Qualquer mentiroso optaria por abandonar uma mentira, ou até a verdade, que lhe colocou a vida em risco, mas esses santos preferiram morrer que negar a verdade daquilo “que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida”. Eles tinham certeza dos fatos que entre eles ocorreram e isso mudou, motivou e deu significado a suas vidas ao ponto de morrem por sua fé. Essa é uma grande evidência da historicidade de Jesus, essa evidência não ficou só no papel e tinta, mas foi assinada com o próprio sangue dos santos apóstolos, profetas e seguidores. Essa evidência pode ser vista nas inesgotáveis catacumbas de Roma onde milhares e milhares de santos cristãos foram sepultados. Suas confissões de fé no Senhor Jesus podem ser lidas em seus epitáfios. Suas vidas santas, firmeza, bravura e destemor ante a morte podem ser lidos nos escritos dos próprios inimigos e carrascos.
Policarpo, discípulo do escritor e apóstolo João, disse com destemor ao seu inimigo que o ameaçava lançá-lo as feras, querendo que ele negasse a Cristo para poupar a vida: “Pode chamá-las. Para nós é impossível mudar de idéia a fim de passar do melhor para o pior; mas é bom mudar, para passar do mal à justiça.” Essa coragem vinha de sua convicção que lhe foi dada por meio do testemunho dos apóstolos que ele conhecia, especialmente João.
No século II, um escritor da igreja em Esmirna, que relatou o martírio de Policarpo, escreveu em palavras vividas: “Quem não admiraria a generosidade deles, a perseverança e o amor ao Senhor? Dilacerados pelos flagelos a ponto de se ver a constituição do corpo até as veias e artérias, permaneciam firmes, enquanto os presentes choravam de compaixão. Sua coragem chegou a tal ponto que nenhum deles disse uma palavra ou emitiu um gemido. Eles mostravam a todos nós que as testemunhas de Cristo não estavam em seus corpos, as que o Senhor, Cristo, ali presente, conversava com eles. Atentos à graça de Cristo, eles desprezavam as torturas deste mundo e adquiriram, em uma hora, a vida eterna. O fogo dos torturadores era frio para eles. De fato, tinham diante dos olhos escaparem do fogo eterno, que jamais se extingue; com os olhos do coração olhavam os bens reservados à perseverança, bens que o ouvido não ouviu, nem olho viu, nem coração do homem sonhou mostrado pelo Senhor àqueles que não eram mais homens, mas que já eram anjos. Do mesmo modo, os que foram entregues às feras suportaram suplícios terríveis. Estendidos sobre conchas eram submetidos a todo tipo de tormentos, para que fossem induzidos a renegar, se possível, por meio de suplicio contínuo.”
A fé firme e fundamentada em Jesus de Nazaré, o Filho único de Deus, muda, motiva e dá tanto significado a vida que homens morreram por Ele e cada morte de um santo foi uma semente que gerava mais fé nos corações incrédulos que ouviam a palavra sobre Jesus regada com sangue de santos crentes. Um verdadeiro milagre, quanto mais se matava, mais cristãos surgiam!
Por isso o escritor citado acima escreveu: “felizes e generosos todos os mártires que surgem segundo a vontade de Deus. De fato é necessário que tenhamos fé, para atribuir a Deus o poder sobre todas as coisas”.
De fato eles morreram conforme o bom plano de Deus para que servissem de testemunho para todo o mundo. Para que não somente por suas palavras, mas também por suas vidas eles testemunhassem da verdade, o Verbo da Vida. Os homens calculam nossas ações em reais e nossas palavras em centavos. Pois nossas palavras só tem valor e peso se forem acompanhadas de vidas condizente com elas.
João e outros foram escolhidos por Deus como testemunhas desses fatos que nós não podemos mais ver, contemplar e apalpar. Deus até mesmo colocou entre os apóstolos um cético Tomé, para que através de sua duvida desse-nos a certeza. A dúvida de Tomé é evidência de que não foi delírio de homens e mulheres crédulos e desesperados de tristeza, que não tinham o escrúpulo de se certificar e averiguar se a ressurreição de Jesus a ressurreição de Jesus era delírio ou realidade. Tomé e os discípulos viram, apalparam e comeram com Jesus ressuscitado. Jesus lhes apareceu ressuscitado durante 40 dias para que não ficasse duvida neles e para que essa certeza gerasse o testemunho tão grande que esses homens deram sofrendo e perdendo a vida mostrando o quão real foi a encarnação de Deus.
João escreveu que, quando Tomé duvidou, Jesus disse: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29) E Pedro escreveu aos seus leitores (uns 30 anos após a ascensão de Jesus) dizendo sobre a crença em Cristo: “a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1Pe 1:8) Isso deixa claro que a fé das gerações futuras não seria por meio de evidências palpáveis como foi para Tomé e os outros. Para nós basta o testemunho deles: suas vidas e seus Escritos inspirados e, acima de tudo, o Testemunho do Espírito Santo nos corações dos eleitos de Deus (Jo 15:26-27; 16:8-14).
Por isso o apóstolo João fez questão de escrever: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20:30-31) Em outras palavras, João está dizendo que quem crê, irá crê através daquilo que eles escreveram e pregaram e que não devemos esperar provas empíricas como um anjo do céu, uma voz sobrenatural, ou tocarmos e vermos o próprio Senhor Jesus. Somente as Escrituras Sagradas e o poder do Espírito Santo é necessário para nós crermos. Mas o Espírito Santo também nós deu um testemunho externo através da vida santa dos mártires para nos mostrar a veracidade daquilo que eles escreveram (Jo 14: 26-27; At 7:55-60).
E quanto a você. Você crê em Jesus? Com que convicção você crê?
Talvez você seja daqueles totalmente incrédulos ou daqueles em muitas igrejas que vivem no limiar entre a descrença e a fé, vivem como uma folha levada ao bel prazer do vento, de um lado para o outro sem rumo certo, e conseqüentemente sua vida não tem sentido e firmeza.
Se você é assim, então é o momento de você parar e refletir sobre o testemunho (martírio) dos discípulos e apóstolos de Cristo e das primeiras gerações de cristãos nos séculos I a III. Que outra explicação existe para o fato inquestionável que eles morreram tendo a chance de salvarem a vida da morte se tão somente dissessem ser uma mentira, ou simplesmente prometessem não falar mais no nome de Jesus de Nazaré? Porque morrer por uma “mentira” tão “absurda e desvantajosa”? Você faria isso por uma coisa que você soubesse ser uma mentira fantasiosa que você mesmo inventou? Creio firmemente que ninguém de sã consciência faria isso.
Então considere firmemente a vida desses santos e as Escrituras Sagradas que eles nos deixaram para que, pelo testemunho interno do Espírito Santo, a sua vida seja transformada e tenha um grande motivo e significado para viver e, se necessário, morrer: Jesus Cristo, o Filho encarnado de Deus.
O apostolo João escreveu para compartilhar esse grande presente que recebeu: “o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros,... Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.” Quando algo de bom e fantástico ocorre conosco, nossa primeira reação é compartilhar isso com nossos amigos e conhecidos. Assim os apóstolos e discípulos receberam um grande dom e procuraram compartilhar sua alegria conosco.
Eles conheceram o Filho de Deus, o Deus Filho, o Senhor e Criador do Universo, Aquele a quem “os céus, e até céu dos céus, não o pode conter” (1Rs 8:27) encarnado em uma frágil e finita natureza humana. Conheceram Aquele que “subsistindo em forma de Deus... a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2:6-8) Conheceram “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo”, o Deus Filho, “que, sendo rico, se fez pobre por amor de” nós “para que, pela sua pobreza”, nos tornássemos ricos (2Co 8:9). Eles viram e apalparam o maior de todos os milagres divinos: a encarnação de Deus.
Eles o viram, ouviram, tocaram e o observaram atentamente. Isso mudou suas vidas. Ele lhes impressionou em todos os aspectos que eles puderam contemplar: Suas palavras sábias, Sua mente perspicaz, Seu amor, compaixão e coragem diante do mal, Sua resolução firme de morrer na cruz por amor de Suas ovelhas.
Quando eles contemplaram a Jesus eles viram e receberam a Vida Eterna que estava com o Pai. A verdadeira Vida foi manifestada a eles. “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.”(Jo1:1) Eles antes estavam tão cegos nas trevas da morte, que “eles não viam o Sol do meio dia”. Jesus é “a verdadeira luz, que vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (Jo 1:9). Sua luz dá vida espiritual aos homens. Todos nós nascemos cegos e mortos, mas quando Deus diz: “haja luz”, um milagre ocorre em nós: despertamos de entre os mortos espirituais e os nossos olhos são abertos, então cremos no filho de Deus, e crendo recebemos a vida eterna e uma “alegria indizível e cheia de gloria” (1Pe 1:8).
Nada pode nos dar verdadeiro sentido e alegria a não ser Deus. Qualquer vida e felicidade sem Jesus é ilusória e passageira. Deus nos ‘criou para Ele, e inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar Nele’. O fim supremo para o qual fomos criados é ‘vivermos para a glória de Deus e desfrutarmos de sua presença para sempre’.
Se você ainda não crê em Jesus de forma real e segura, considere essas palavras, medite nas Sagradas Escrituras e se entregue de corpo e alma a Cristo, para receber o perdão de seus pecados, ter paz com Deus, a vida eterna e desfrutar de Sua presença alegrando-se com alegria indizível e cheia de glória.”
O que era desde o princípio,
o que temos ouvido,
o que temos visto com os nossos próprios olhos,
o que contemplamos,
e as nossas mãos apalparam,
com respeito ao Verbo da vida
(e a vida se manifestou, e nós a temos visto,
e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos,
a vida eterna, a qual estava com o Pai
e nos foi manifestada),
o que temos visto e ouvido
anunciamos também a vós outros,
para que vós, igualmente,
mantenhais comunhão conosco.
Ora, a nossa comunhão é com o Pai
e com seu Filho, Jesus Cristo.
Estas coisas, pois, vos escrevemos
para que a nossa alegria seja completa.
( I JOÃO 1:1-5 )