"Tu incitas [ao homem] para que sinta prazer em louvar-Te; Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti." (Agostinho)

15 de fevereiro de 2010

O Testemunho Apostólico: Jesus, verdadeira vida e alegria



I JOÃO 1:1-5
 "O que era desde o princípio,
o que temos ouvido,
o que temos visto com os nossos próprios olhos,
o que contemplamos,
e as nossas mãos apalparam,
com respeito ao Verbo da vida
(e a vida se manifestou, e nós a temos visto,
e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos,
a vida eterna, a qual estava com o Pai
e nos foi manifestada),
o que temos visto e ouvido
anunciamos também a vós outros,
para que vós, igualmente,
mantenhais comunhão conosco.
Ora, a nossa comunhão é com o Pai
e com seu Filho, Jesus Cristo.
Estas coisas, pois, vos escrevemos
para que a nossa alegria seja completa."
Há coisas que mudam radicalmente a nossa vida; coisas que motivam e dão significado a nossa vida. Certamente significado é algo que muitos buscam. Uns o almejam sem saber; outros o buscam de forma consciente. Mas quer consciente ou não, significado é algo que muda, motiva e que plenifica a nossa vida.
Há quase 2000 anos no oriente médio, homens incultos e cultos encontraram algo (“o que”) que lhes deu significado. Na verdade encontraram mais do que algo, encontraram alguém. Alguém que eles ouviram, viram com os próprios olhos, o que contemplaram atentamente e que suas mãos tiveram o privilégio de apalpar.
O santo apóstolo, já então bem idoso, faz questão de afirmar que ele irá escrever sobre algo indubitavelmente certo. Não foi um sonho, um devaneio de um jovem sonhador. Foi real, palpável. Foi Alguém que lhes impressionou tanto que eles contemplaram atentamente, observaram minuciosamente o que Ele falava e como Ele era.
Isso é verdadeiro, pode não ser para muitos hoje, mas para outros e para os que o “contemplaram” é real. A maior evidência que eles deixaram de Sua realidade não foi tanto o que eles escreveram sobre Sua vida, mas a vida que eles tiveram após o encontro com Ele.
Muitos como Pedro e João eram pescadores ignorantes, mas outros como Mateus, Lucas, Nicodemos e Saulo de Tarso eram homens de status e de muita cultura. O interessante é que todos eles tiveram suas vidas transformadas de forma radical.
É fácil mentir, isso nós sabemos bem, ainda mais quando a mentira nos beneficia. Alias, só mentimos quando é necessário e proveitoso para ganharmos algo ou nos livrarmos de algum mal.
Mas vamos imaginar todos aqueles homens inventando (como muitos dizem hoje) uma historia chamada Jesus, o Filho encarnado de Deus. Embora a própria história de Jesus seja tão engenhosa que nem Wollywoold conseguiria inventar, não seria difícil imaginarmos isso. As dificuldades dessa teoria começam onde as vantagens da mentira terminam. Quais as vantagens que esses homens tiveram com essa “lenda”? Com certeza nenhuma que compensasse o preço a ser pago.
Qualquer mentiroso irá pesar custo e beneficio. Se o beneficio for significativo, ele mente; se for negativo ele não mente. Se ele achar que é proveitoso e depois descobrir que não é, ele irá desmentir.
A “lenda” chamada “Jesus, o Filho do Deus, encarnado, morto e ressuscitado”, não venderia ingresso, mas traria prejuízo incalculável.
Entre os romanos, fascinados com a filosofia grega de Platão e outros, imaginarem um espírito perfeito, como Deus, se encarnando em um copo material e depois da morte, ao invés de ficar livre do corpo, ressuscitar novamente para ter um corpo material era um absurdo. Para eles o espírito era bom e a matéria (carne) má. Então para os romanos, impregnados da cultura, a grega encarnação era sem sentido e a ressurreição completamente indesejável e desprezível.
Entre os judeus, com sua noção distorcida de um Messias militar que viria desencadear uma guerra santa contra a dominação do Império Romano e livrar Israel de seus inimigos, seria difícil imaginar um Messias Rei nascendo pobre, sendo o próprio Filho divino, montando num jumentinho e não num imponente cavalo de batalha, ensinando a “dar a Cesar o que é de Cesar”, e, o que seria mais absurdo e ilógico, morrer vergonhosamente em uma cruz maldita.
Foi o próprio Saulo de Tarso quem escreveu: “Porque tanto os judeus pedem sinais [de poder e autoridade], como os gregos buscam sabedoria [a filosofia e sua retórica]; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. – 1Co 1:22-24
Eles não procuraram agradar ou se acomodar a ninguém, como os mentirosos fazem. Eles ensinavam a história de um “Cristo crucificado” que para todos era um absurdo de loucura e fraqueza.
As conseqüências foram as piores.
Não obtiveram vantagens e prestigio entre os intelectuais romanos e judaicos.
Não obtiveram riquezas.
Não tiveram uma vida pacifica e tranqüila como muitos cristãos querem hoje.
Mas, esses homens e mulheres, velhos e crianças, foram desprezados, zombados, perseguidos, perderam propriedades, foram apedrejados, acoitados, presos em cadeias, expulsos de cidades, exilados em ilhas, crucificados das formas mais variadas, decapitados, jogados para as feras, queimados vivos, mortos das formas mais cruéis que a mente humana depravada pode inventar.
Eles tinham, sempre diante de si, a opção de negar suas crenças e levarem vidas tranqüilas como qualquer um ou morrerem por suas crenças em Jesus, o Filho de Deus, encarnado, morto e ressuscitado. Qualquer mentiroso optaria por abandonar uma mentira, ou até a verdade, que lhe colocou a vida em risco, mas esses santos preferiram morrer que negar a verdade daquilo “que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida”. Eles tinham certeza dos fatos que entre eles ocorreram e isso mudou, motivou e deu significado a suas vidas ao ponto de morrem por sua fé. Essa é uma grande evidência da historicidade de Jesus, essa evidência não ficou só no papel e tinta, mas foi assinada com o próprio sangue dos santos apóstolos, profetas e seguidores. Essa evidência pode ser vista nas inesgotáveis catacumbas de Roma onde milhares e milhares de santos cristãos foram sepultados. Suas confissões de fé no Senhor Jesus podem ser lidas em seus epitáfios. Suas vidas santas, firmeza, bravura e destemor ante a morte podem ser lidos nos escritos dos próprios inimigos e carrascos.
Policarpo, discípulo do escritor e apóstolo João, disse com destemor ao seu inimigo que o ameaçava lançá-lo as feras, querendo que ele negasse a Cristo para poupar a vida: “Pode chamá-las. Para nós é impossível mudar de idéia a fim de passar do melhor para o pior; mas é bom mudar, para passar do mal à justiça.” Essa coragem vinha de sua convicção que lhe foi dada por meio do testemunho dos apóstolos que ele conhecia, especialmente João.
No século II, um escritor da igreja em Esmirna, que relatou o martírio de Policarpo, escreveu em palavras vividas: “Quem não admiraria a generosidade deles, a perseverança e o amor ao Senhor? Dilacerados pelos flagelos a ponto de se ver a constituição do corpo até as veias e artérias, permaneciam firmes, enquanto os presentes choravam de compaixão. Sua coragem chegou a tal ponto que nenhum deles disse uma palavra ou emitiu um gemido. Eles mostravam a todos nós que as testemunhas de Cristo não estavam em seus corpos, as que o Senhor, Cristo, ali presente, conversava com eles. Atentos à graça de Cristo, eles desprezavam as torturas deste mundo e adquiriram, em uma hora, a vida eterna. O fogo dos torturadores era frio para eles. De fato, tinham diante dos olhos escaparem do fogo eterno, que jamais se extingue; com os olhos do coração olhavam os bens reservados à perseverança, bens que o ouvido não ouviu, nem olho viu, nem coração do homem sonhou mostrado pelo Senhor àqueles que não eram mais homens, mas que já eram anjos. Do mesmo modo, os que foram entregues às feras suportaram suplícios terríveis. Estendidos sobre conchas eram submetidos a todo tipo de tormentos, para que fossem induzidos a renegar, se possível, por meio de suplicio contínuo.”
A fé firme e fundamentada em Jesus de Nazaré, o Filho único de Deus, muda, motiva e dá tanto significado a vida que homens morreram por Ele e cada morte de um santo foi uma semente que gerava mais fé nos corações incrédulos que ouviam a palavra sobre Jesus regada com sangue de santos crentes. Um verdadeiro milagre, quanto mais se matava, mais cristãos surgiam!
Por isso o escritor citado acima escreveu: “felizes e generosos todos os mártires que surgem segundo a vontade de Deus. De fato é necessário que tenhamos fé, para atribuir a Deus o poder sobre todas as coisas”.
De fato eles morreram conforme o bom plano de Deus para que servissem de testemunho para todo o mundo. Para que não somente por suas palavras, mas também por suas vidas eles testemunhassem da verdade, o Verbo da Vida. Os homens calculam nossas ações em reais e nossas palavras em centavos. Pois nossas palavras só tem valor e peso se forem acompanhadas de vidas condizente com elas.
João e outros foram escolhidos por Deus como testemunhas desses fatos que nós não podemos mais ver, contemplar e apalpar. Deus até mesmo colocou entre os apóstolos um cético Tomé, para que através de sua duvida desse-nos a certeza. A dúvida de Tomé é evidência de que não foi delírio de homens e mulheres crédulos e desesperados de tristeza, que não tinham o escrúpulo de se certificar e averiguar se a ressurreição de Jesus a ressurreição de Jesus era delírio ou realidade. Tomé e os discípulos viram, apalparam e comeram com Jesus ressuscitado. Jesus lhes apareceu ressuscitado durante 40 dias para que não ficasse duvida neles e para que essa certeza gerasse o testemunho tão grande que esses homens deram sofrendo e perdendo a vida mostrando o quão real foi a encarnação de Deus.
João escreveu que, quando Tomé duvidou, Jesus disse: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29) E Pedro escreveu aos seus leitores (uns 30 anos após a ascensão de Jesus) dizendo sobre a crença em Cristo: “a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória” (1Pe 1:8) Isso deixa claro que a fé das gerações futuras não seria por meio de evidências palpáveis como foi para Tomé e os outros. Para nós basta o testemunho deles: suas vidas e seus Escritos inspirados e, acima de tudo, o Testemunho do Espírito Santo nos corações dos eleitos de Deus (Jo 15:26-27; 16:8-14).
Por isso o apóstolo João fez questão de escrever: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (Jo 20:30-31) Em outras palavras, João está dizendo que quem crê, irá crê através daquilo que eles escreveram e pregaram e que não devemos esperar provas empíricas como um anjo do céu, uma voz sobrenatural, ou tocarmos e vermos o próprio Senhor Jesus. Somente as Escrituras Sagradas e o poder do Espírito Santo é necessário para nós crermos. Mas o Espírito Santo também nós deu um testemunho externo através da vida santa dos mártires para nos mostrar a veracidade daquilo que eles escreveram (Jo 14: 26-27; At 7:55-60).
E quanto a você. Você crê em Jesus? Com que convicção você crê?
Talvez você seja daqueles totalmente incrédulos ou daqueles em muitas igrejas que vivem no limiar entre a descrença e a fé, vivem como uma folha levada ao bel prazer do vento, de um lado para o outro sem rumo certo, e conseqüentemente sua vida não tem sentido e firmeza.
Se você é assim, então é o momento de você parar e refletir sobre o testemunho (martírio) dos discípulos e apóstolos de Cristo e das primeiras gerações de cristãos nos séculos I a III. Que outra explicação existe para o fato inquestionável que eles morreram tendo a chance de salvarem a vida da morte se tão somente dissessem ser uma mentira, ou simplesmente prometessem não falar mais no nome de Jesus de Nazaré? Porque morrer por uma “mentira” tão “absurda e desvantajosa”? Você faria isso por uma coisa que você soubesse ser uma mentira fantasiosa que você mesmo inventou? Creio firmemente que ninguém de sã consciência faria isso.
Então considere firmemente a vida desses santos e as Escrituras Sagradas que eles nos deixaram para que, pelo testemunho interno do Espírito Santo, a sua vida seja transformada e tenha um grande motivo e significado para viver e, se necessário, morrer: Jesus Cristo, o Filho encarnado de Deus.
O apostolo João escreveu para compartilhar esse grande presente que recebeu: “o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros,... Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.” Quando algo de bom e fantástico ocorre conosco, nossa primeira reação é compartilhar isso com nossos amigos e conhecidos. Assim os apóstolos e discípulos receberam um grande dom e procuraram compartilhar sua alegria conosco.
Eles conheceram o Filho de Deus, o Deus Filho, o Senhor e Criador do Universo, Aquele a quem “os céus, e até céu dos céus, não o pode conter” (1Rs 8:27) encarnado em uma frágil e finita natureza humana. Conheceram Aquele que “subsistindo em forma de Deus... a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2:6-8) Conheceram “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo”, o Deus Filho, “que, sendo rico, se fez pobre por amor de” nós “para que, pela sua pobreza”, nos tornássemos ricos (2Co 8:9). Eles viram e apalparam o maior de todos os milagres divinos: a encarnação de Deus.
Eles o viram, ouviram, tocaram e o observaram atentamente. Isso mudou suas vidas. Ele lhes impressionou em todos os aspectos que eles puderam contemplar: Suas palavras sábias, Sua mente perspicaz, Seu amor, compaixão e coragem diante do mal, Sua resolução firme de morrer na cruz por amor de Suas ovelhas.
Quando eles contemplaram a Jesus eles viram e receberam a Vida Eterna que estava com o Pai. A verdadeira Vida foi manifestada a eles. “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.”(Jo1:1) Eles antes estavam tão cegos nas trevas da morte, que “eles não viam o Sol do meio dia”. Jesus é “a verdadeira luz, que vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (Jo 1:9). Sua luz dá vida espiritual aos homens. Todos nós nascemos cegos e mortos, mas quando Deus diz: “haja luz”, um milagre ocorre em nós: despertamos de entre os mortos espirituais e os nossos olhos são abertos, então cremos no filho de Deus, e crendo recebemos a vida eterna e uma “alegria indizível e cheia de gloria” (1Pe 1:8).
Nada pode nos dar verdadeiro sentido e alegria a não ser Deus. Qualquer vida e felicidade sem Jesus é ilusória e passageira. Deus nos ‘criou para Ele, e inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar Nele’. O fim supremo para o qual fomos criados é ‘vivermos para a glória de Deus e desfrutarmos de sua presença para sempre’.
Se você ainda não crê em Jesus de forma real e segura, considere essas palavras, medite nas Sagradas Escrituras e se entregue de corpo e alma a Cristo, para receber o perdão de seus pecados, ter paz com Deus, a vida eterna e desfrutar de Sua presença alegrando-se com alegria indizível e cheia de glória.”
O que era desde o princípio,
o que temos ouvido,
o que temos visto com os nossos próprios olhos,
o que contemplamos,
e as nossas mãos apalparam,
com respeito ao Verbo da vida
(e a vida se manifestou, e nós a temos visto,
e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos,
a vida eterna, a qual estava com o Pai
e nos foi manifestada),
o que temos visto e ouvido
anunciamos também a vós outros,
para que vós, igualmente,
mantenhais comunhão conosco.
Ora, a nossa comunhão é com o Pai
e com seu Filho, Jesus Cristo.
Estas coisas, pois, vos escrevemos
para que a nossa alegria seja completa.
( I JOÃO 1:1-5 )

4 de agosto de 2009

EU AINDA ANSEIO VER - Rev. Hernades Dias Lopes



"Eu ainda anseio ver uma igreja ortodoxa e piedosa.
Uma igreja que tenha palavra e poder,
uma igreja que tenha doutrina e vida.
Eu ainda anseio ver aqueles que conhecem a verdade
sendo transformados por ela
a ponto de se tornarem pessoas humildes e não arrogantes.
Eu ainda anseio ver uma igreja cujas obras provem a sua fé
e cuja fé honre ao seu Senhor.
Eu ainda anseio ver uma igreja que pregue com fidelidade,
ensine com autoridade e cante louvores a Deus com fervor.
Eu anseio ver uma igreja onde Jesus tenha supremacia
e as pessoas sejam verdadeiramente amadas.

Eu creio que meus olhos verão ainda essa realidade.
A fé vê o invisível. Ela caminha no meio da escuridão das circunstâncias,
guiada pela luz da verdade.
Os olhos da fé não estão postos na improbabilidade da situação circundante,
mas nas promessas fiéis daquele que não pode falhar.
Mesmo que os horizontes sejam pardacentos,
mesmo que as circunstâncias sejam desfavoráveis,
mesmo que a oposição seja sem trégua,
eu ainda anseio ver uma igreja onde a doutrina dará as mãos ao fervor,
onde a ortodoxia se vestirá com a túnica da santidade,
onde a reforma desembocará no reavivamento.
Estou cansado de ver o povo de Deus bandeando
ora para um extremo ora para outro.
Aqueles que são mais zelosos da doutrina,
não raro são os mais apáticos no fervor.
Aqueles que mais conhecem menos fazem.
Aqueles que têm mais luz muitas vezes são os que têm menos calor.
Aqueles que estadeiam sua cultura
são os que menos refletem a doçura do Salvador.
Ah! Eu ainda anseio ver uma igreja firmada na doutrina dos apóstolos,
que ora e cante com entusiasmo.
Uma igreja que tenha temor de Deus e alegria do Espírito.
Uma igreja que tenha profunda comunhão interna
e grande simpatia dos de fora.
Vejo com tristeza aqueles que tolamente abandonam a doutrina
para buscar experiências arrebatadoras.
Onde falta a semente da Palavra,
não se vê o fruto da verdadeira piedade.
Não é a experiência que conduz à verdade,
mas esta deságua naquela.
A vida decorre da doutrina e não esta daquela.
Precisamos de uma igreja que seja ortodoxa
sem deixar de ser ortoprática.
Os que se desviaram da Palavra em busca de experiências,
precisam de uma nova reforma
e os que se desviaram da piedade e ainda conservam sua ortodoxia
precisam de reavivamento.
Eu ainda anseio ver uma igreja doutrinariamente fiel,
mas que seja ao mesmo tempo amável
e acolhedora aos que se aproximam.
Uma igreja que ensine doutrina com zelo,
mas que adore a Deus com fervor.
Uma igreja que prega a verdade, mas vive em amor.
Uma igreja onde a proclamação não está na contramão da comunhão.

Eu ainda anseio ver uma igreja que seja fonte para os sedentos,
oásis para os cansados, refúgio para os aflitos,
lugar de vida para os que cambaleiam na região da sombra da morte.
Eu anseio ver uma igreja que viva para a glória de Deus,
que honre o seu Salvador, que seja cheia do Espírito Santo,
que adore a Deus com entusiasmo,
que pregue sua Palavra com fidelidade
e acolha as pessoas com efusiva alegria e redobrado amor.
Que o meu e o seu anseio se tornem motivo das nossas orações
até que vejamos cair sobre nós essa bendita chuva da
restauração espiritual."
Rev. Hernandes Dias Lope


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Rev. Hernandes Dias Lopes é pastor presbiteriano. Pregador profundo e piedoso. Homem a quem Deus tem usado de forma extraordinária para falar as mentes e corações do seu povo no Brasil e exterior. Atualmente pastoreia a Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (Bahia). Seus sermões expositivos em livros inteiros das excrituras tem sido publicados em foma de livro pela editora Hagnos. Além desses livros expositivos o Pr. Hernades tem escrito muitos outros livros. Visite seu site http://www.hernandesdiaslopes.com.br, lá você encontra livros, pastorais, pregações em vídeo, mp3 e muito mais.

3 de agosto de 2009

A DOUTRINA ESQUECIDA DA IGREJA

Pr. Paul Washer



FONTE: http://www.youtube.com/watch?v=ALGW1aH4iF8&feature=related

23 de abril de 2009

"Judas e os libertinos" - Rev. Augustus Nicodemus



Augustus Nicodemus explica porque não devemos pensar que os libertinos são apenas um resultado do relativismo moral característico da nossa geração.





"Libertino" é o nome dado aos que defendem a liberdade do cristão para desfrutar de toda sorte de práticas sexuais desde que feitas em amor. Os libertinos defendem a validade e naturalidade para o cristão do sexo antes do casamento, a relação homo-erótica, o "ficar" entre adolescentes e jovens, entre outras coisas.Não devemos pensar que os libertinos são um fenômeno peculiar de nossa época, o resultado do impacto do movimento de liberação sexual da década de 1960 e do impacto do relativismo moral característico da nossa geração. Os libertinos existiram em todas as épocas da Igreja de Cristo, como um organismo paralelo nas igrejas locais. Nunca faltou na Igreja Cristã quem interpretasse a salvação somente pela fé como uma desculpa para a libertinagem. Aliás, essa é uma das acusações mais freqüentes contra o Evangelho, ou seja, que ele tem em si próprio o potencial para a libertinagem, pois ensina que os pecadores são redimidos livremente, pela graça de Deus, sem obras. Trata-se, todavia, de uma compreensão equivocada do significado do Evangelho e da graça de Deus, que nos foram dados, não para que pecássemos livremente, mas para que fôssemos feitos mais e mais semelhantes ao Senhor Jesus Cristo, santos, puros e irrepreensíveis (Tito 2:11-12). >> LEIA O RESTANTE NO SITE DA EDITORA MUNDO CRISTÃO <<
_______________
FONTE: Editora Mundo Cristão: www.mundocristao.com.br

17 de janeiro de 2009

A Palavra de Deus é Como o Martelo que Despedaça a Rocha


"Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? —diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? —diz o SENHOR. Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, proclamando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. Até quando sucederá isso no coração dos profetas que proclamam mentiras, que proclamam só o engano do próprio coração? Os quais cuidam em fazer que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu companheiro, assim como seus pais se esqueceram do meu nome, por causa de Baal. O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha palavra fale a minha palavra com verdade.

Que tem a palha com o trigo? —diz o SENHOR. Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR, e martelo que esmiúça a penha?

Portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro. Eis que eu sou contra esses profetas, diz o SENHOR, que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse. Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o SENHOR, e os contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o meu povo; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o SENHOR." (Jeremias 23:23-32)

***

Quão poucos pregadores hoje tem falado ao povo aquilo que deve ser de fato dito e ensinado! O que se vê hoje em dia são, de um lado, aqueles que negociam o evangelho falando apenas o que as pessoas querem ouvir, pois, do contrário, eles não serão populares com os seus ouvintes. Tem medo de falar algo que magoe alguém, tem medo dizer que as pessoas que não tem a Cristo de fato e de verdade irão para o inferno; que quem vive como quer e não ama a Deus sobre todas as coisas - mais que o futebol, mais que as novelas, mais que o Big Brother, mais que a namorada ou namorado, mais que o emprego, mais do que tudo! - serão banidos da face de Deus e sofrerão sob a ira eterna do Todo-Poderoso.
Os pregadores hoje são como os do tempo de Jeremias que proclamam a paz de Deus sobre quem paira a ira dEle:

"Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto, cairão com os que caem; quando eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR." (Jeremias 6:14-15; 8:11-12)

Do outro, lado estão ainda aqueles que nem sabem o que é o evangelho e pregam tudo menos a "palavra da Cruz" (1Co 1:18). Pregam filosofias, pregam anedotas, pregam psicologia, e até textos da Bíblia, mas sem pregarem o que as pessoas de nossas igrejas devem ouvir conforme a vida que estão levando e não o que elas querem ouvir para não serem incomodadas.

Poucos tem sido aqueles que tem corrido o risco da impopularidade que sempre correrão os arautos da verdade!

O Senhor Jesus predisse aos discípulos: "Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós." (Mateus 5:11-12)

E o apostolo Paulo aconselhou o jovem pregador Timóteo: "Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério." (2 Timóteo 4:1-5)

A verdade de Deus deve ser dita quer agrade ou desagrade a alguém. A palavra de Deus deve ser ouvida por mais que nos fira. Deus é Todo-Sábio, e "é melhor ouvir a
repreensão de um sábio, do que elogios de um estúpido." (Provérbios 27:5)

Muitos pregadores preferem pregar aquilo que não incomoda os seus ouvintes, pois assim eles estarão tranqüilos e não serão incomodados por eles e não correrão o risco de serem "demitidos" de suas igrejas e ficarem sem seus salários que, por vezes, são bem confortáveis. Por sua vez, os ouvintes que se acham crentes gostam de ouvir esses pregadores, desde que o sermão seja curto, pois eles lhes passam a idéia de que tudo está bem com os seus corações frios e com o seu pouco envolvimento com Deus e seu Reino, e que, por fim, irão para os céus.

Mas, meu querido leitor, se você não é desses ou se é e está arrependido de ter agido assim, eu lhe convido a dispor um pouco de seu tempo e assistir algumas curtas mensagens de dois pregadores batistas,
Paul Washer[1] e John Piper[2], pregadores que tem lutado para pregar a Palavra de Deus sem o medo mórbido de incomodarem os ouvidos sensíveis de seus ouvintes que não se importam em viver na verdade. São palavra fortes que nos causam profunda reflexão e pela graça de Deus, mudança.


PAUL WASHER:
Jesus Cristo é Tudo (motivação para missões)


Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=JSWBT6eS7p0


Evidência de Salvação


Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=eVEsB8HivLc

JOHN PIPER :
A Natureza da Conversão

Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=_jBMRUiENZ8


O Que Significa Receber a Cristo

Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=ObQ0Dtoav6Y


Você irá Sofrer

Fonte: http://br.youtube.com/watch?v=fAVx9TumFcI


"... o homem para quem olharei é este:

o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra."

(Isaías 66:2)

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NOTAS:
[1] Paul Washer é pastor batista, membro da igreja batista Grace Life Church em Alabama, EUA. Atuou 10 anos como missionário no Peru onde fundou a HeartCry Missionary Society ( http://www.heartcrymissionary.com/ ), sendo o atual diretor.


[2] John Piper é pastor de linha reformada. Pastoreia a Igreja Batista Bethlehem, em Mineápolis, Minessota, desde 1980. Suas pregações e livros (alguns traduzidos pelas editoras Cultura Cristã, Fiel e Shedd) têm sido intrumento de Deus para edificação de Sua Igreja em várias partes do mundo.

14 de outubro de 2008

AH! SE OS “SÁBIOS” SOUBESSEM...


que “sábio”[1] não é aquele que muito estudou e inquiriu,
mas aquele que, mesmo sem estudo, e, mesmo discretamente, considera-se esperto e inteligente, e não aceita críticas e opiniões.
Ó! Se os “sábios” soubessem que,
os sábios, primeiro devem conhecer a si mesmos.
Ah! Se os “sábios” soubessem que os
sábios, mesmo com muito conhecimento,
sabem o tamanho de sua própria ignorância; enquanto que os “sábios”, mesmo com pouco conhecimento, não se acham tão estúpidos.

Quem dera que os “sábios” aprendessem que humildade não é descansar em sua própria ignorância e opinião, mas que, humildade é reconhecer nossas limitações e falta de conhecimento e buscarmos dia após dia, com dedicação, aprendermos um pouco mais, observando, perguntando, lendo e pensando. Pena que os “sábios” são muito “humildes” para aprender, pois, ou se consideram incapazes, ou bastam-se a si mesmos.
Ah! Se soubessem que humildade não é sinônimo de covardia e acomodação.

Oxalá que os “sábios” aprendam um dia que os sábios também erram e que estão sempre aprendendo com seus próprios erros e com os erros dos outros. Mas os “sábios”, são como cães
que voltam a comer o próprio vomito repetidas vezes.

Quem dera que os “sábios” compreendessem a Bíblia que diz:
“é melhor ouvir a repreensão de um sábio,
do que elogios de um estúpido”[2];
que: “a sabedoria é justificada por seus frutos”[3];
que: “a repreensão entra mais fundo no prudente
do que cem açoites no insensato”[4];
que: “melhor é a repreensão franca que o amor encoberto”;
e, principalmente, que: “Leais são as feridas feitas por quem te ama,
mas os beijos de quem odeia são enganosos.”[5]
Tomara que, um dia, os “sábios” aprendam que não é sábio viver elogiando e que críticas e repreensões podem ter um fim proveitoso. Os
sábios aprendem muito mais com as dificuldades e as críticas,
pois “a boca lisonjeira é causa de ruína”[6]; o excesso de elogio causa orgulho, acomodação e, por fim, a ruína.

Ah! Uma coisa eu queria que os “sábios” aprendessem:
que a verdade nem sempre está com a maioria, afinal, um relance na história demonstrará que a verdade veio da boca de poucos sábios;
e que estes foram perseguidos pela grande maioria formada pelos “sábios”.
Os grandes mestres sempre foram perseguidos
e até mortos pela verdade que, para os “sábios”, era mentira e tolice. Mas a razão não está com a maioria, só por ser maioria, mas na natureza das coisas.
Os sábios sempre correram o risco da impopularidade
que sempre correm os arautos da verdade.

Somente os peixes mortos se deixam levar ao sabor da correnteza;
somente as folhas secas são levadas de um lado a outro pelo vento;
assim são aqueles que se deixam levar pela moda e consenso daquilo que
a maior parte do mundo considera como bom e verdadeiro.
Ah! Se o "sábio" soubesse estas coisas e viesse a ser sábio!


pb. Anderson J. F. de Abreu


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* Essa postagem é uma edição de um texto escrito originalmente por mim em 2005.

[1] "Sábio" entre aspas é o falso sábio ou que se julga sábio; e sábio sem aspas é o verdadeiro sábio.
[2] Provérbios 27:5
[3] Mateus 11:19
[4] Provérbios 17:10
[5] Provérbios 27:6
[6] Provérbios 26:28

8 de setembro de 2008

UMA ORAÇÃO NÃO RESPONDIDA POR AMOR A NÓS *

(Mt 26:36-46; Mc 14:32-42; Lc 22:39-46)

“Então, foram a um lugar chamado Getsêmani;
ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar. E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia. E lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai. E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.” (Mc 14:32-36)
"Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua. Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra." (Lc 22:42-44)
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Nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) temos as narrativas complementares de Jesus orando no Getsêmani. Em vários episódios narrados pelos evangelistas vemos o quanto Jesus era um homem de oração, e oração fervorosa, diga-se claramente. Isso é curioso, pois, se é que algum ser humano pode achar desnecessário orar, esse seria Jesus, pois, afinal de contas ele não só é homem perfeito como também é o próprio Deus, o Filho de Deus. Contudo o vemos constantemente buscando a face do Pai em oração. Jesus orava incessantemente. Orava por horas a fio. Orava especialmente em momentos que antecediam decisões ou acontecimentos importantes.

É inegável que Deus deseja os seus filhos em Sua graciosa presença. Qual Pai, Ele ama ver os Seus filhos se achegarem a Sua face. Ele, como Pai amoroso, se regozija em ver os Seus filhos derramarem seus corações em Sua presença. Se ele se alegra conosco, quanto mais Deus Pai se alegrava em ver o Seu Filho por excelência, Jesus, aqui na Terra voltar-se para o Senhor nos Céus.

Certa vez quando os discípulos pediram a Jesus que os ensinassem a orar ele lhes ensinou por meio do modelo de oração do “Pai nosso” que, embora tenhamos muitas carências e necessidades sentidas, Deus deve ser o centro de nossa oração e não nós mesmos. Ensinou que deve ser feita a vontade de Deus na Terra e no Céu e não a nossa vontade. Se no sermão do Monte (Mt 6:9-15) Jesus ensinou como orar teocentricamente, no Getsêmani ele demonstrou isso na prática até as últimas conseqüências.

Jesus foi ao Getsêmani quando sua prisão já se avizinhava. Ele sabia o que lhe aconteceria. Ele sabia que ele era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Desde os doze anos de idade, quando foi com seus pais ao templo, ele já havia visto o que isso significava e lá viu os cordeiros sendo degolados e sacrificados a Deus como substituição dos pecados do Povo. E agora era a hora do seu “corpo” tomar o lugar das “sombras” (Cl 2:17) dos rituais antigos. Agora ele iria ser preso, zombado, açoitado sem dó ou piedade; seria levado “como ovelha muda perante seus tosquiadores” (Is 53:7); seria “verme e não homem” (Sl 22:6); os “touros de Basã”, os “cães”, “uma súcia de malfeitores” (Sl 22:12,16a), o cercariam para despedaçá-lo; ‘traspassariam suas mãos e pés’ (Sl 22:16b); ele seria desfigurado como nenhum outro homem (Is 52:14); o Senhor Iahweh, na sua ira, faria cair "sobre ele a iniqüidade de todos nós" (Is 53:6); ele seria “oprimido e humilhado” (Is 53:7); o próprio Iahveh, seu Pai, se agradaria em “moê-lo fazendo-o enfermar” (Is 53:10); logo ele gritaria aquilo que nenhum filosofo, cientista ou teólogo poderá jamais perscrutar: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Sl 22:1, Mt 27:43). Na cruz ele provaria as angustias do inferno. Isso era um grande motivo para que ele temesse e se angustiasse (Mt 26:37), era motivo mais que suficiente para que ele “sentir-se tomado de pavor e de angustia”, pois sua morte seriam uma morte que nenhum ser humano seriam capaz de suportar: provaria a ira finita, embora cruel dos homens; e a ira infinita do Deus justo. Assim, consciente mais do que ninguém daquilo que lhe esperava como ele sempre predisse, ele resolve buscar a face de seu Pai.

Fico tentando imaginar Deus que “é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5:11), vendo Seu Filho Único, eternamente gerado de Sua própria essência, mas agora encarnado como um finito homem, aquele em quem a alma do Pai muito se compraz (Mt 12:18), se achegar a Ele “profundamente triste até a morte” (Mc 14:34) lhe rogando tomado “de pavor e de angustia” (Mc 14:33): “Aba [papai], tudo te é possível; passa de mim este cálice”(Mc 14:36). E de orando intensamente em grande agonia ao ponto de “seu suor se [tornar] como gotas de sangue caindo sobre a terra”(Lc 22:44). Então o Pai lhe dá o silêncio como sua resposta. Embora Jesus estivesse orando em profundo “pavor” e “angústia” ele nunca reivindica, exige ou "toma posse" do que é seu por direito divino, mas faz como ele nos ensinou a fazer: “não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26:39) “faça-se a tua vontade” (Mt 6:10; 26:42). Nós sabemos que Deus fez a sua vontade. Jesus foi prezo e tudo que a lei e os profetas falaram sobre ele se cumpriu e nós fomos beneficiados e Deus, em Seu Filho, foi glorificado. Contudo, não creio em um Deus impassível e frio, mas creio que esse momento foi, de alguma forma incompreensível, uma grande "dor" para o Pai ver a agonia de Seu Filho Amado e não lhe atender o clamor.

"Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem." (Hb 5:7-9)

Contudo, fico imaginando, se aquela noção que temos da oração fosse verdadeira. Ou seja, se Deus atendesse a todas as orações; ou mesmo se Deus atendesse a todas as orações apenas dos que têm muita fé e uma vida muito consagrada. Assim, suponhamos se o Pai tivesse se condoído de seu Filho e voltasse atrás no plano que ambos, juntamente com o Espírito, conceberam na eternidade. Se o Pai dissesse para o Filho: “vem para casa, para o teu trono, para a tua glória. Esqueçamos essa idéia de salvação do homem. Afinal, esses humanos não merecem o nosso amor, esse grande sacrifício que eu e tu, meu querido Filho, estamos fazendo. Deixemos para eles mesmos beberem o cálice da minha ira (Sl 75:8; Jr 25:15-16; Ap 14:10). Vem para mim Filho.” O que teria sido de nós? Estaríamos todos no mais profundo inferno, “banidos da face do Senhor e da glória do seu poder.” (2Ts 1:9)

Mas bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que não é um Deus de improvisos, ou um Deus mutável, mas o Deus que faz tudo segundo o seu plano eterno e não conforme a vontade e contingência de suas criaturas. Deus é soberano! Ele não recebe ordens. Ele não muda. Ele não se arrepende como os homens. Ele não é pego de surpresa. Nada escapa ao seu propósito. “Nenhum dos seus planos pode ser frustrado.” (Jó 42.2) O que Deus faz, Ele não decidiu agora, no tempo, mas desde que Ele É, desde que existe, ou seja, eternamente. Também não decidiu baseado na vontade ou vida de Suas criaturas, mas na sua santa, justa e soberana vontade! Ele é Deus!! Por isto Iahweh não responde certas orações, porque é soberano, e porque Ele tem algo melhor para seus filhos.

Por amor, Deus não responde as nossas orações como queremos. Foi por causa de seu amor justo que Ele recusou a oração desesperada de Seu Filho encarnado. Não foi porque Jesus não tinha fé ou porque tinha pouca fé. Não foi porque Jesus não estava com a vida consagrada. Não foi porque Jesus não pediu insistentemente. Mas foi porque não estava em Seu plano eterno, não era a Sua vontade.

No entanto há quem creia e ainda ensine que basta você ter fé ou muita fé, para que sua oração seja respondida imediatamente; ou basta você ter fé e uma vida consagrada, que Deus lhe atenderá. Na verdade o que é ensinado por muitos é que temos direitos diante de Deus e devemos exigi-los e tomar posse deles. Onde está isso na Bíblia? Ouvi um “pregador” orando euforicamente e a igreja repetindo: “Deus, eu quero o meu milagre agora!!!” E repetia: “Agora! Agora! Agora!!!” Esse é o mundo “evangélico”. Onde está isso na Bíblia? Quem ensinou isso a esse povo? Foi isso que Jesus ensinou e fez? Ou é o que Satanás, o pai da mentira, tem ensinado? Onde está a verdadeira e humilde oração: “não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26:39), “faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:10; 26:42)?

O que a Bíblia ensina é que “esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (1Jo 5:14)

Irmãos, estejamos certos de que Deus nos ama. Assim como temos certeza de que Ele ama o Seu verdadeiro Filho, Jesus, embora tenha lhe recusado suas suplicas, da mesma forma como recusa muitas de nossos pedidos. Devemos aprender com Jesus: que mesmo uma oração feita em fé, por uma vida totalmente consagrada, pode ser recusada. Deus fará a Sua vontade e não a nossa, contudo, a Sua resposta é muito melhor do que aquilo que pedimos. Por amor Ele recusa muitas de nossas orações. Por amor a nós Ele recusou uma fervorosa oração de Seu filho amado.

Aprendamos meus amados irmãos, a orar de forma humilde, mas constante e fervorosamente como Jesus orava. Deixemos Deus ser Deus e sejamos apenas humildes filhos que expõem suas necessidades sentidas diante do Pai, mas aguardando que, em Sua soberana e sabia vontade, Ele nos dê a resposta segundo as nossas reais necessidades, conforme Seu plano.

Bendito seja Deus que não atende a todas as nossas orações!
Louvado seja o nosso Pai, porque não atendeu a oração de Seu Amado Filho, para nos dar “copiosa redenção”, para Sua glória e para que gozemos de Sua presença eternamente.
Aleluia. Maranata! “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20)

pb. Anderson Abreu

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Adaptada de uma mensagem ministrada por mim no culto de oração de 03/09/2008 na Igreja Presbiteriana de Americanópolis, São Paulo-SP.